Knock Knock Knocking on heaven’s door

Antes de escrever essa história fiquei pensando em todas as portas que deixamos de passar porque estamos carregando nossas portas pessoais. O quanto não entramos no tão sonhado paraíso porque carregamos uma porta que veda a passagem?

Essa é uma história hilária, dramática, arquetípica e real. Não se passa no nosso tempo, mas é carregada até os dias de hoje. Poderia ser o tipo de história que começa com “Era uma vez…”

Era uma vez… num tempo muito longínquo… num reino distante… uma moça muito sábia e poderosa. Era uma moça bela e também bondosa. Carregava segredos, conhecimentos e sabedorias temidas pelos homens de poder. Não pretendia usá-los até porque o poder dos homens não lhe interessava. Sabia ler a natureza e misturar elementos. Seus conselhos eram desejados e temidos. Sua boca se movia e fazia até os mais corajosos tremerem. Era capaz de prever coisas simplesmente por saber ler energias que os homens tinham se esquecido.

Um dia foi chamada por homens de muito poder que queriam seus conselhos sobre um projeto que atraia a jovem imensamente. Estava muito entusiasmada por pensar que poderia ajudar em algo que seu coração ficava tão feliz em trabalhar. Era manhã de um belo dia de sol. Deixou sua pequena cabana cheirando a ervas secas, deixando seus unguentos e macerações por terminar. Eram tempos difíceis de conquistas, o medo da perda de terras e poder era constante, mas a jovem não queria envolvimento com isso. Chegando no castelo foi encaminhada por um longo corredor escuro e no final dele jogada numa cela sem chance ou sem qualquer explicação.

Inicialmente um choque!!! Ficou petrificada! Como sair dali! Agarrou as barras de ferro da porta da sua cela. Uma bela e grande porta de madeira maciça com grades de ferro que faziam as vezes de uma pequena janela no centro da porta. Chacoalhou aquelas barras com toda força. Sua raiva e ódio eram enormes e dia após dia foram cristalizando na falta de movimento e interesse pela vida ou pelo sobrenatural. Sua única ação era segurar nas barras e mexer o mais forte o possível na tentativa de quebrá-las. Ficou cega de raiva e a única coisa que conseguia pensar era nisso, quebrar a porta que lhe tirou a liberdade. O motivo de ter sido presa? Ela nem sequer pensou a respeito.

Alguns muitos anos se passaram. Sua face não apresentava mais o olhar de bondade, estava cega pela determinação de quebrar a porta. Seu olhar ignorava agora a luz do sol ou da lua e até mesmo as árvores que podia ver da pequena janela dessa cela. Seus ouvidos se fecharam para o canto dos pássaros, o estrondo do trovão ou o assobio dos ventos. Não via ou ouvia mais nada! Somente via a porta e ouvia o barulho dela batendo no batente.

Até que um dia ouviu um “clique” e ouviu seu nome. Ela correu até a porta e segurou nas barras. A porta estava aberta! Então ela soube que poderia sair, estava livre. Precisava apenas passar pelo corredor e sair daquele lugar para sempre. Então soltou a porta das dobradiças, voltou a segurar nas barras de ferro e lentamente, até porque a porta tinha o triplo do seu peso, saiu arrastando aquela porta. Aquelas grades da porta eram sua e ela ainda precisava de tempos em tempo agitar a porta segurando suas barras para demonstrar toda a raiva que carregava. E passo a passo, arrastando a porta, se enroscava em todas as passagens, mas felizmente tinhas as grades da porta para agitar e mostrar seu descontentamento e raiva.

“AHHHHHHHHHHHHHHHH Grrrrrrrrrrrrrrrrr” fazia segurando a porta com ódio sempre que se enroscava e não conseguia avançar. E mais um passo ela dava, sempre com a porta! Nunca chegou ao fim do corredor! Nunca mais viu a luz do dia! Ainda bem que ela tinha aquelas grades para se expressar!

Essa é uma visão que apareceu num trabalho recente. Um arquétipo, uma vida passada, uma vida emprestada? Não faz diferença, aqui vale apenas a reflexão: Em quantas coisas ficamos enroscados, cegos e presos em histórias quando o caminho já está livre? Onde nos atrelamos e agarramos em nossas portas pessoais que trancam o caminho quando poderíamos sair andando? Onde prefiro estar presa na porta que trancava o calabouço batendo nessa porta desejando que o paraíso se abra, mas é essa mesma porta que fecha as portas do paraíso?

PS: Uma vez feita a reflexão, vamos transformar esse conto numa história curativa:

“AHHHHHHHHHHHHHHHH Grrrrrrrrrrrrrrrrr” fazia segurando a porta com ódio sempre que se enroscava e não conseguia avançar. E mais um passo ela dava, sempre com a porta! Até que em dado momento percebeu o que estava fazendo, percebeu que a vida seguia na sua frente e que aquela porta fazia parte de um passado que ela estava livre. Então largou a porta e correu! Saiu daquele lugar sem saber quem era a pessoa misteriosa que os céus tinham enviado para libertá-la, mas sabendo que um milagre tinha acontecido e que ela estava pronta para sair do seu calabouço e criar seu paraíso!

PPS: Esse é apenas um final. Você pode mudar a história e recriar o final a partir do ponto que quiser. Sua vida, suas regras! Uma vez que você perceba qual é sua cela, sua porta ou sua armadilha é possível mudar as coisas! Crie e recrie de onde quiser, afinal… esse poderia ser um conto que diz: “Era uma vez uma moça feliz!”

PPPS: aqui “homens de poder” não se refere aos seres do sexo masculino ou feminino em especial. Não se trata de um conto sobre questões entre masculino e feminino, patriarcado ou feminismo.

PPPPS: recebi uma poesia incrível após publicar perfeita para ajudar nas reflexões:

“Na porta havia uma parede

Impossível ultrapassar

Tempos depois percebi era um espelho tirei dali!!!”

Elaine Vieira – Ecologia Interior

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