Spread your wings

Era uma vez… um ganso-patola. Vamos chamá-lo de Patolinha! Patolinha vivia em uma ilha localizada num arquipélago. Era possível ver várias outras ilhas ao redor, mas impossível visitá-las.

Patolinha foi chocado numa semana de muita tempestade. O vento estava enfurecido, as ondas invadindo a ilha, a chuva incessante… tudo estava um pouco caótico, todos os moradores da ilha: as emas, avestruzes e kiwis correndo, os ovos em seus ninhos boiavam na água, os ninhos se misturavam e ninguém sabe contar muito bem o que aconteceu. Tudo que se sabe é que Patolinha nasceu.

Desde o início chamou atenção, um pouco mal desenvolvido, mas nada de se estranhar, a tempestade devia ter causado um “chocamento” pré-maturo. Nunca foi como seus irmãos, exímios corredores ou farejadores e teve que aprender a conviver com suas limitações. Tinha interesses diferentes, sentia que não se encaixava.

Um dia todos da ilha estavam ocupados e Patolinha sentou na praia e observou as outras ilhas. Como desejava ir até lá. Olhava outras aves no céu e desejava poder voar e viajar. Mas… devia ser grato por ter vida e aprender a lidar com suas limitações.

Patolinha foi crescendo e desenvolvendo. Suas corridas pioravam a cada dia. Ainda bem que sua cabeça dura parecia protegê-lo nas quedas. Seu faro também não era dos melhores. Era sempre escolhido para os trabalhos chatos já que não dava conta de fazer o que os outros faziam. Além disso, suas asas pareciam crescer muito e estar deformado sua estrutura, era melhor que ele não fizesse coisas difíceis. Sentia muitas dores.

Um dia um curandeiro chegou de barco na ilha. Disse ter uma visão de que um grande espírito estava naquela ilha com poderes encobertos. Foi um desfile de plumagem. Patolinha conformado ficou apenas observando de longe, achando, como os outros, que o curandeiro revelaria esses poderes ocultos do qual havia falado. Acabado o “desfile”, o curandeiro se afastou e chamou Patolinha para ver suas dores de asas.

Patolinha foi a loucura! O curandeiro revelou coisas mágicas sobre ele, seus sonhos mais ocultos! Como aquele curandeiro poderia saber sobre seus desejos de voar, mergulhar, visitar outras ilhas se ele nem abriu a boca???

Então o curandeiro antes de ir embora, usando seus “super poderes” pegou nas asas de Patolinha e disse: você vai se curar quando voar! Nossa!!!! Patolinha passou dias pensando o que o curandeiro queria dizer com voar…eram tantos os significados para aquilo! Por que será que havia falado com ele de forma simbólica?

Anos depois, Patolinha já um pouco amargo da vida e de suas limitações, com muitas muitas dores, quase esquecendo das bobeiras dos seus sonhos, esbarra no curandeiro, mas esse parecia infinitamente mais jovem. Como aquilo era possível? Então foi entender que era o filho do curandeiro e descobriu que o velho curandeiro havia morrido. Entrou num choro convulsivo! O jovem curandeiro abriu espaço e tirou todos do lugar. Quando estava sozinho com Patolinha perguntou o motivo de tamanho desespero. Ainda soluçando Patolinha contou que o velho curandeiro havia profetizado que quando Patolinha voasse suas dores passariam, mas ele nunca descobriu o significado das palavras e se sentia fadado a morrer com suas dores. Só podia ser o tal do Karma que muito tinha ouvido falar! Nunca correria como seus irmãos e ficaria para sempre com suas dores.

O filho do curandeiro abriu sua bolsa e tirou dois presentes: um espelho grande de corpo inteiro e uma enciclopédia ilustrada (referência muito antiga pré era digital) e muito explicativa sobre aves, com um volume inteiro sobre aves marinhas e um volume inteiro sobre as ratitas (aves não voadoras: avestruzes, emas, kiwis…), sorriu e foi embora.

Patolinha devorou o volume sobre as ratitas e saiu feliz para mostrar o livro para seus irmãos, explicando muito bem todas as habilidades de corrida destes…

A partir daqui a história temos três finais, escolha o seu:

Patolinha nunca chegou a abrir os outros volumes e um dia morreu.

Ou

Patolinha leu tudo sobre as aves marinhas, mas se conformou com seu destino. Se aquilo tinha acontecido com ele era seu Karma, melhor aceitar e um dia morreu.

Ou

Patolinha leu tudo sobre as aves marinhas, começou a mudar seus movimentos, foi entendendo melhor suas percepções e entendendo que seus sonhos eram chamados. Após um pouco de treino voou! Também mergulhou e foi conhecer outras ilhas! Passou a ser o comunicador entre ilhas e com seu exemplo de vida todos se abriram para “aquela coisa” de prestar atenção aos chamados. Patolinha estava certo, era o tal do karma! Um dia, após muito ser feliz, morreu sem dor!

Se você está tropeçando ao correr e tem dor de asas, está na hora de se olhar no espelho!

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