O (des)caminho do meio…

Uma das maiores desculpas que ouço para as pessoas justificarem suas ações é o famoso “caminho do meio” (essa também já foi minha maior desculpa!). O caminha do meio foi mal interpretado e se tornou a justificativa para não assumir o ponto atual de consciência. Então essa, como todas as histórias reais de clientes, amigos, minhas também que conto através de contos, é uma daquelas histórias que começa com “era uma vez”…

Era uma vez uma menina. Muito atarefada. Trabalhava muito, comia mal, passava a maior parte do tempo no whatsapp. Em seu tempo livre via filmes e séries.

Não era uma pessoa que bebia ou fumava, apenas socialmente quando ia para festas. As bebidas faziam mal, não tão mal quanto os lugares muito cheios. Não que ela tivesse muita consciência, mas a combinação dos 3 era bombástica para sua energia, mas vai se reunir socialmente e não beber? Vai ser antissocial e não sair? Tinha que ser comedida e ter um pouco de liberdade para a diversão.

Comia as porções recomendadas de carnes, doces e derivados de leite. Comia transgênicos e coisas com agrotóxicos. Ficava inchada, com dores de cabeça, mal humorada, irritada, com rinite, com insônia e com gases, mas a vida toda ficou! Se sentia mentalmente alterada, mas não tinha consciência. Adorava chocolate e comidas com queijo, fast food e industrializados. Não dá pra ser radical. Afinal, vai virar uma daquelas chatas que não come “““nada””” e leva a marmita nas festas? Tinha que seguir um caminho do meio.

Usava celular e computador para tudo. As trocas de mensagens, postagens passaram a ser de suma importância ainda que o conteúdo não tivesse importância alguma. Passava horas sendo consumida pelas redes sociais sem notar, mas era a modernidade, não podia ficar de fora, precisava apenas lidar com moderação ou ia se tornar uma dessas pessoas desconectadas?

Passou a ter dores e problemas de saúde. Novamente o que importa é a moderação, melhor tomar alguns comprimidos. Não dá pra deixar a vida de lado por qualquer pequeno sintoma.

Seus amigos começaram a experimentar algumas drogas… Por que não? Só experimentar! É a vida! Um pouco de diversão! Tudo na vida com moderação

Trabalhava muitas horas por dia. As coisas que amavam não davam dinheiro. No máximo eram um hobby e foram sendo deixadas de lado. Quando dava fazia algo nos feriados e finais de semana. A vida não se tratava de fazer o que queremos, era uma vida adulta. Temos que ser adultos e achar o meio-termo entre prazer e trabalho.

Suas roupas não eram muitas, mas vinham de todo o tipo de exploração, de pessoas e animais. Suas coisas eram frutos de coisas que poluiam ou geravam poluição. Como saber isso tudo? Não dá pra pensar e se preocupar com tudo também, né?! Tem que ter bom senso.

Seu relacionamento era ruim, mas que relacionamento é perfeito? Sua vida social era vazia, mas não é importante ter amigos? Lia e estudava muito sobre espiritualidade, mas não dá pra ser o tempo todo consciente, tem que seguir o caminho do meio.

Foi ficando deprimida, com doenças desconhecidas, seu corpo e mente (nem mencionarei o espírito) reclamavam mas suas fotos ganhavam muitos likes e seus posts com opiniões sobre espiritualidade eram muito compartilhados. Era “comedida” e seguia o caminho do meio…

Um dia teve um problema muito grave e aqui cabem dois finais: um ela continuou no “seu caminho do meio” e assim sem muita consciência morreu; ou ela entendeu que não era caminho o meio que ela seguia e que não havia entendido do que se tratava o caminho do meio, mas que usava aquilo como uma desculpa para não mudar e mudou!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s