Ponha a consciência no lixo!

O trabalho com a espiritualidade fala diariamente sobre consciência. Podemos trabalhar com nossas sombras, nossas dores, traumas, trazer luz para tudo isso, mas o trabalho sobre consciência também é diário com as pequenas e grandes coisas que fazemos.

Um belo dia olhei para o meu lixo. Nunca pensei muito sobre o meu lixo, mas quando reparei nele… quanta coisa meu lixo contou sobre mim mesma! Literalmente coloquei a consciência no lixo e olhei para ele. Perceber que eu gerava mais lixo reciclável do que orgânico começou a me dar dicas das coisas que eu estava comprando, mas quando reparei que minha alimentação vinha na sua maioria de caixas e quão pouco eu estava consumindo alimentos frescos, fiquei impressionada por perceber como não estava olhando para o que me nutria e mais do que isso, o lixo abriu espaço para ver processos muito mais profundos de consciência sobre a nutrição de padrões em todos os níveis.

Levando a consciência para o lixo o primeiro pensamento foi sobre o lixo! Percebi, e no início foi uma facada ter que assumir, que por mais que eu separasse meu lixo eu não estava muito preocupada com ele. Queria sim que o reciclado fosse reciclado, tinha todo um discurso sobre isso, evito uma série de coisas para não gerar lixo desnecessário, mas no fundo, querer e acreditar em algo é um ponto, fazer é outro. Assumir que não queremos algo naquele determinado momento é o primeiro passo para poder modificar. Dizer: “eu quero gerar menos lixo” é diferente de dizer “eu não me importo com essa quantidade de lixo que gerei nesse momento” (se ainda precisa de tradução, se eu tivesse de fato me importado naquele momento eu não teria gerado ou teria agido diferente!). Quando dizemos e assumimos o ponto de consciência ou realidade que nos encontramos, não estamos negando o que queremos, apenas reconhecendo o fato presente e eliminando as desculpas que impedem que as mudanças aconteçam. Isso abre um espaço mágico de mudança.

O segundo pensamento foi sobre a alimentação de fato. Cada vez que eu comia, pensando que iria melhorar minha alimentação (que para os padrões sociais nem era ruim), parei de usar os discursos “quero melhorar…”, “preciso comer mais…”, eliminei as desculpas e simplesmente assumi que no momento presente eu não queria mudar. Assumi que meu paladar/desejo era mais importante do que as crenças e avisos que eu recebia. Parei de culpar a preguiça e simplesmente assumi “nesse momento eu não quero mudar/fazer” (tradução: eu queria por uma crença e por um chamado, mas se quisesse de verdade teria feito naquele momento, não foi feito, ou seja, naquele momento não queria). Minha nutrição física estava inadequada, eu estava ouvindo outras pessoas, toda uma indústria, padrões sociais, mas não estava perguntando para meu corpo e para minha alma o que eles precisavam para se nutrir. Essa foi a segunda facada! Como é dolorido ter que olhar e reconhecer o ponto real que estamos. Novamente, eu não estava dizendo que não ia mudar, mas assumindo o que estava acontecendo naquele ponto do tempo.

Fazendo essas afirmações do que estava acontecendo no momento, comecei a perceber o quanto o lixo que eu gerava no exterior era o mesmo lixo que eu gerava no interior. Estava aceitando me intoxicar e intoxicar o meio ambiente. Não apenas com a alimentação e o lixo, mas deixando os outros dizerem coisas sobre minha alimentação e sobre minha vida ao invés de seguir minha alma, assim eu jogava “lixo” para dentro, assim como jogava lixo para fora não percebendo o que fazia e apenas reclamando das coisas que não estavam boas.

Emoções e padrões também estão conectados às frequências dos alimentos, então não só eu me intoxicava com o que ingeria, mas também alimentava muitas vezes emoções e padrões tóxicos que recebiam sua cota de “alegria” e prometiam ficar quietinhos ou controlados por mais um tempo e me intoxicava com essas emoções e padrões. Aceitar fazer modificações na alimentação significa que ao sentir falta de certas vibrações os monstrinhos internos não olhados vão recorrer a vibração de alguns alimentos, suas emoções e padrões vão fazer uma pequena manifestação se rebelando e você terá que olhar para elas ou vai pegar seu celular, computador, achar alguma distração entorpecente para não ter que enfrentar as questões (e assumir que não quer fazer isso naquele momento).

Com tudo isso também percebi muitas relações e comportamentos tóxicos, socialmente aceitáveis ou até exigidos, mas tóxicos! Todos que eu eceitava e também gerava.

Ter consciência sobre o lixo foi um processo que gerou inúmeros insights que não se limitaram ao lixo, nutrição, padrões emocionais, mas gerou insights sobre roupas, comportamentos, relacionamentos. E apenas colocando consciência e assumindo o ponto que eu estou em cada momento, meu lixo mudou drasticamente, sem qualquer esforço. A alimentação também modificou. Alguns relacionamentos foram de fato para o lixo, assim como alguns comportamentos e hábitos. A percepção do que estou gerando a cada momento ficou mais evidente. Todos os lixos que gero no mundo são reflexo do que gero em mim, assim como toda consciência que trago para mim é um aspecto que se amplia no exterior! Ao perceber o que acontece e assumir internamente, não é necessário esforço para mudar, sua consciência já dará início na mudança em outros níveis. Lógico que você será resposável por suas ações, mas não mais será uma dificuldade mudar. Ao assumir o que acontece, muitas vezes você se dará conta, como eu, de que algumas coisas simplesmente mudaram sem qualquer esforço.

Se eu pudesse deixar um convite: olhe para seu lixo! Veja o que você está gerando em todos os níveis. Não precisa tentar mudar nada. Apenas assuma o que você está fazendo e gerando, sem desculpas, apenas com honestidade. Esse é todo o espaço de mudança necessária.

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