Cético!?!?!?!

Há algum tempo se alguém me dissesse que era cético, como um pequeno pombo emplumado, eu enchia os pulmões me preparando com argumentos prontos para serem cuspidos sem se quer ter dado ouvidos ao pobre ser humano que seria bombardeado pelas minhas muitas “verdades”… tsc.

A palavra “cético” me causava repulsa. Como alguém poderia não acreditar em nada? Por definição isso já seria uma crença e aí entrava toda uma discussão sobre lógica, semântica, muito blá, blá, blá e pouca consciência.

Então comecei a abandonar a semântica, parei de ouvir as palavras e comecei a ouvir o que as pessoas estavam falando de fato! Uma palavra pode estar estruturada no banco de dados e experiências internas de duas pessoas de formas completamente diferentes. Quer um exemplo: dentista… eu quase saí correndo do computador, mas me parece que para os 3 mil inscritos em odontologia para o vestibular de 2018 da Fuvest essa palavra não é assustadora. Observe essa frase: tenho um jantar em família. Um comentaria “que droga”, outro “que delícia”. Podemos saber o que é uma palavra, mas mais do que o significado da palavra precisamos lembrar que o banco de dados de uma informação passa pelas emoções e experiências de uma pessoa e isso altera o contexto. Quando duas pessoas conversam, não são apenas informações secas sendo trocadas, mas as experiências por trás de cada informação vão se combinando às palavras.

Voltando para a audição, comecei a perceber que os significados de muitas palavras eram totalmente diferentes do que estava sendo dito. Então um dia um homem me disse: “sabe, eu já tentei acreditar, mas hoje sou muito cético”, e aí começou um festival de frases de sabedoria que aquele homem retirou da sua própria experiência de vida. Para aquele homem, o ceticísmo tinha a ver com não acreditar em vidas passadas (ou vindouras), ele acreditava que a única coisa importante era o presente, aproveitar cada momento, estar de fato no aqui e agora e as suas experiências de vida ensinaram isso. Por algum motivo, que não vem ao caso, enquanto ele tentava se enquadrar na doutrina religiosa ele não se conectava com um dos mais importantes ensinamentos espirituais: o estado de presença, a conexão com o aqui e agora, mas quando assumiu que para sua mente aquela doutrina não fazia sentido, começou a ver o sentido do estado de presença em algum nível.

Então, em um casamento, entre Bon Jovi e Chiclete com Banana na banda do palco (esse comentário não é uma crítica irônica, é de fato só uma contextualização, adoro Bon Jovi e já gostei muito de Chiclete com Banana), alguém diz: “sabe, sou muito cético!” Tóin! Meus ouvidos já ficaram muito alertas animados para as palavras seguintes. Então novamente fui muito bem surpreendida. As palavras seguintes descreviam um outro grande ensinamento da área espiritual sobre parar de explicar mentalmente e sentir.

Conheço pessoas “cheias de fé” que não vislumbraram ainda o que é sentir e internalizar algo ou pouco compreendem sobre o estado de presença. São pessoas que acham que acreditam, mas se acreditassem de fato o fariam, ou pelo menos praticariam, mas muitas tem um entendimento mental e teórico, mas não carregam como consciência.

Ceticismo e fé viram antônimos, quase como ciência e religião. No entanto entendo que o equilíbrio reside no ponto central. A explicação se unindo com a experiência, a história apoiando o estado do aqui e agora. A espiritualidade na prática, como uma prática de consciência permanente em todas as ações no aqui e agora.

Esses dois homens me ensinaram algo importante, a prática e a experiência em suas vidas não os deixaram mais céticos, mas ensinaram a eles (ainda que talvez eles não saibam) o que é a verdadeira fé, a crença internalizada que se torna uma verdade e que eles chamaram de ceticismo!

Significado de Cético. adjetivo Descrente; que não acredita em nada; que tende a duvidar de tudo. Incrédulo; sem crenças; que não professa uma religião; desprovido de fé. Diz-se da pessoa partidária do ceticismo; que pertence ou pode estar relacionado com o ceticismo.

Significado de substantivo feminino Crença; convicção intensa e persistente em algo abstrato que, para a pessoa que acredita, se torna verdade. Religião; maneira através da qual são organizadas as crenças religiosas. … A primeira das três virtudes próprias da teologia: , esperança e caridade.

Fonte: internet dicio.com.br

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