Perdendo o nojinho – absorventes não descartáveis

Li um post falando dos nojinhos que as mulheres sentem dos processos da menstruação, o que me inspirou falar de algo que me fez perder o nojinho: absorventes não descartáveis!

Criamos uma sociedade Protex-Omo, tudo tem que ser branco, limpo, higienizado, pasteurizado, photoshopado, com cheiro de amaciante.

Uma mulher fica menstruada, em média, mais de 2000 dias na sua vida. Ou seja, 48000 mil horas convivendo com um organismo que está liberando sangue… vermelho! O que fere o pressuposto de uma sociedade que tudo precisa ser branco brilhante, até mesmo o absorvente.

O aprendizado inicial de uma mulher, muitas vezes, é que sangue é sujo, que ela precisa se manter limpinha. Sim, sou a favor da higiene pessoal, mas a transmissão das noções de higiene não podem querer dizer que o corpo da mulher é sujo ou que o processo natural do corpo é sujo.

Ouvi muito de mulheres sobre os horrores dos absorventes de paninho e cresci achando que aquilo era nojento e acreditei que entrar em contato com meu próprio sangue era muito nojento.

Então há alguns anos fui apresentada aos absorventes de pano e todo o meu preconceito me fez ignorá-los. Lidar com meu próprio sangue? Lavar aquele negócio? Eca! Fui apresentada aos coletores (copinhos). Também tive um enorme preconceito, eu teria que ver o sangue e a quantidade…Eca2

Um dia resolvi experimentar o tal copinho, quase como um ato rebelde e também por conta da minha atenção com o lixo gerado pelos absorventes (que me davam muito nojo). Nas primeiras vezes foi muito estranho, mas me acostumei rápido e percebi que não havia nada de nojento no meu sangue. Foi a primeira vez que não tive nojo do meu ciclo. Com isso passei a notar o quanto de conceitos e ideias erradas eu tinha a respeito do meu corpo e me senti livre!

Até que um dia tive que parar com os coletores. Voltar para os absorventes não me pareceu nada agradável, ainda mais pelos absorventes que existem no Brasil. Solução? Importei absorventes. Quando me dei conta do que estava fazendo, tirando o lixo que iria gerar, a pegada de carbono e o absurdo da situação, resolvi pesquisar sobre absorventes de pano. Achei um vídeo de uma menina super patricinha (mais do que eu já fui) fazendo uma avaliação positiva. Aí pensei: já me liberei de tantos preconceito, que tal experimentar descobrir a verdade do que eu penso sobre isso ao invés de ficar com o preconceito social que eu ‘absorvi’?

Não precisou de mais de 1 dia para adaptação. Eles não eram nojentos como as pessoas diziam. Não eram desconfortáveis. Não eram difíceis de lavar. Não geravam lixo! Avaliação super positiva e aprovados!

Quando eu venci esse preconceito, havia algumas amigas falando das calcinhas absorventes. Pensei: que tal vencer mais um preconceito? Experimentei! Sensacionais!!! Ainda não descobri do que são feitas para entender seu impacto, mas certamente geram menos impacto no meio ambiente do que absorventes descartáveis.

Esses métodos não descartáveis são a antítese da sociedade pasteurizada, mundo Omo do branco perfeito. Eles permitem as mulheres entrarem em contato com algo natural e normal e uma vez que se percebe a naturalidade de algo acaba o nojinho!

Durante 2000 dias, ao invés de gastar de 6mil a 8mil absorventes/ tampões brancos e cheios de química (que estão em contato direto com uma parte super sensível do corpo), que além de serem descartáveis ainda são embrulhados individualmente :/ , que tal transpor o preconceito social e experimentar algo novo? Os absorventes não descartáveis (coletores, calcinhas absorventes, absorventes de pano) são uma excelente solução para o ciclo, para o meio ambiente, para sua saúde. Há inúmeras pesquisas falando sobre a composição dos absorventes tradicionais, e eu não gostaria de passar 48mil horas com essas composições no meu corpo.

Resolvi publicar esse texto porque acredito que alguns preconceitos transmitidos podem ser dissolvidos com informação e está na hora de abençoarmos todos os ritmos e ciclos do corpo humano ao invés de tornarmos um fardo algo que é natural. Um fardo tão grande que leva várias mulheres a interromperam seus ciclos por anos… um fardo transmitido e promovido socialmente.

Eu perdi o nojo da menstruação quando entrei em contato com ela sem os absorventes descartáveis. Então deixo o convite: apenas ouse experimentar! Você tem 48mil horas para conhecer e testar. Há inúmeros modelos de coletores, calcinhas, absorventes de pano. Algum certamente servirá para você!

Ps: não existe a menor dificuldade em lavar as calcinhas ou os absorventes. Então se essa é a parte negativa, deixe o preconceito de lado. Talvez você se sinta desajeitada nos primeiros dias, mas é algo que é muito simples e fácil de se adaptar.

Ps2: Como as dicas que vi foram importantes, transmito aqui a que me ajudou: após o uso e assim que possível (caso esteja fora de casa) deixe correr água apertando ou movendo o tecido, lave com sabão neutro e deixe de molho. Lave mais uma vez até não sair mais sangue e se quiser coloque na máquina de lavar com as outras roupas, mas não deixe na secadora. Não use outros produtos químicos. O sangue sai rápido, não fica cheiro e não é nojento.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s