Luto, conexão e vida

Passei alguns meses sem conseguir escrever, mais precisamente desde as eleições. Não aceitei nada bem o fato do que coletivamente abrimos mão em nome de uma suposta segurança e desenvolvimento econômico.

Sim, fiquei de luto. Passei um período aceitando meu inconformismo e entendendo que o mundo não muda não porque existe um plano das forças do mal, elites, programas (isso tudo até pode existir), mas o mundo não muda porque as pessoas não mudam e não querem mudar. O comodismo e o pensamento individualista é o grande problema.

Me peguei as voltas com o inconformismo. Tantas pessoas falando em mudança, de místicos a economistas, cada um dentro da sua área. Uns acreditando numa transição energética, outros num milagre econômico e eu no meio me perguntando: e o que cada um está fazendo para tomar consciência das escolhas e mudar?

As coisas de certa forma perderam o sentido no final do ano, me senti sem ter no que acreditar e mais, sem saber como agir se o mundo que eu busco e desejo, se a mudança que eu escolho e gostaria de ver espalhada não é algo de fato desejado por uma maioria.

Mas algo me tirou disso com uma grande lembrança da resposta: vida! Veio inexorável e (in)esperada reforçando tudo aquilo que eu acreditava. Quando a vida flui tudo muda! A vida conecta novamente com a consciência e com as decisões. A vida abre espaço para olharmos para o mundo de forma diferente e percebermos a capacidade que temos de mudar! A vida flui e nos tira do comodismo, muitas vezes transforma tudo ao redor, mas nos leva para um caminho melhor. Ela carrega a força para enfrentar o que for preciso! A vida é o que eu chamo de crescimento harmônico e é isso que se liga ao amor, é o que se distancia da desarmonia energética que geram os processos de morte. Em última instância, a vida é o que gera e abre espaço para a mudança.

No entanto, eu ainda não tinha a menor vontade de retomar algumas atividades, entre elas escrever. Então ontem abri um livro que ganhei “Como se encontrar na escrita”, de Ana Holanda. Em partes estava receosa de odiar a leitura e encontrar uma espécie de manual sobre escrita e adiei muito começar a ler, até porque o livro foi um presente de uma amiga querida e assim que me entregasse a leitura precisaria dar o feedback. Para minha surpresa e alívio adorei! Não se trata de um manual, técnicas ou nada. No fundo, não se trata de nada, mas se trata de tudo. O livro fala sobre a experiência da escrita/leitura como uma experiência de conexão, de abertura, exposição. Entrar em contato com isso me tirou do espaço que eu me encontrava, não apenas com a escrita, mas com várias outras atividades.

Minhas últimas conversas significativas tem sido sobre a conexão das coisas, fazer com a alma, sair do raso e parar de buscar referências exteriores e o livro me fez refletir e lembrar disso. Lembrei que por mais que possa dar cursos, criar uma marca famosa de produtos naturais, ter uma lista de clientes grande, eu não quero pasteurizar e padronizar as coisas, quero que a alma e a conexão esteja presente em tudo o que faço e o mesmo vale para a escrita. Começaram a dar dicas para que eu escrevesse melhor, falasse sobre temas quaisquer, tivesse uma produção com dias certos, mas nada disso faz sentido. Eu gosto de escrever com o que me toca no momento, algum som, alguma emoção, alguma conversa ou qualquer coisa que dispare a vontade de me colocar presente com o que estou sentindo e vivendo sobre o tema. Ok, uma ou outra dica, se eu não fosse tão rebelde, seriam muito válidas, por exemplo observar pontuação, mas minha rebeldia me faz pontuar não como a norma técnica, mas com as pausas dramáticas que acontecem no meu pensamento quando estou tentando transmitir algo para o papel, outras dicas quem sabe…

O que importa disso tudo é que algo me inspirou, sair do pasteurizado e trazer a alma e a conexão para tudo. Talvez essa seja a chave da mudança que eu gostaria e que tinha perdido a esperança. Talvez essa seja a chave para a vida que surge e como acredito que ela deva acontecer. Talvez não seja nada disso, mas o que importa é que me tocou. Me deu forças para lembrar o que realmente importa a vida, a conexão!

O que te toca? O que te conecta? Quem é você quando você está realmente vivendo?

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