A porca, o bicho-preguiça e a borboleta

Da série histórias curativas:

Era uma vez um bicho-preguiça. Ele tinha talentos incríveis. Era o grande encantador da floresta. Era capaz de reunir outros animais, combinar propósitos, juntar sonhos. Ele era capaz de fazer os olhos dos animais brilharem e fazer acender seus desejos de criação! Mas como bom bicho- preguiça, não era tão adepto a partir para a ação, afinal, cada qual com seu dom!

O bicho-preguiça conheceu uma porca. Por uns tempos boa amizade. A porca muito confortável em seu chiqueiro de lama, viver lá era seu dom. O bicho-preguiça acabou curtindo um pouco aquela laminha, mas qdo notou estava só com a cabeça e as patinhas pra fora. Fora engolido pela lama. Ele tentou ajudar a porca a sair da sua lama, mas quanto mais tentava, mais afundava. Quando tentava sair a porca porconhava e o bicho-preguiça voltava a afundar. Talvez viver chafurdado não fosse tão ruim…

Um dia o bicho-preguiça, ótimo em fazer conexões, lembrou de uma lagarta que conheceu há muito tempo quando comia suas folhas frescas. Entrou em contato com a lagarta, mas surpresa surpresa! Ela tinha se transformado numa borboleta! Era uma bela borboleta mutante, sempre que precisava recrutava um casulo e se transformava novamente e casa vez saia mais feliz e brilhante!

A borboleta gostou de falar com o bicho-preguiça! Falaram do topo das árvores, das viagens pela floresta, das infinitas possibilidades de transformação, das conexões que ele era capaz de fazer, dos sonhos (e descobriram sonhos em comum)!

Mas então a borboleta recebeu uma meleca de lama. “Uhhhgh!” pensou. Aí ela percebeu que o bicho-preguiça estava na lama. Tentou ajudá-lo a sair, mas quanto mais o fazia mais enlameada ficava. A porca não colaborava. Com seu dom de enlamear tudo fazia questão de jogar lama. A borboleta tentou uma engenhocas para tirá-lo e lá, mas cada vez que se emporcalhava fosse por causa do próprio bicho-preguiça fosse pela porca, o brilho da borboleta ia sumindo.

O bicho-preguiça também não colaborava. Ele dizia querer sair, mas no meio do processo dava uma preguiça e ele voltava p a lama. Afinal, já não sabia mais o que era passear entre as árvores, comer folhas frescas, olhar do topo de uma árvore, se conectar com os animais na floresta. Passou tanto tempo lá que tinha se acostumado. Até queria sair, mas talvez não. A porca logicamente não queria que ele saísse, não ia ficar sozinha em sua lama.

Um dia, costurando sua asinha que havia rasgado numa das enlameadas que recebeu e tentando polir para recuperar o brilho, a borboleta percebeu que o bicho-preguiça era capaz de sair da lama, ele não estava preso. Percebeu também que a única coisa que ela poderia fazer era entrar num casulo e se transformar. Recuperar suas forças e seu brilho. Percebeu que não seria capaz de tirar o bicho-preguiça de lá, ele poderia fazer sozinho. Ela percebeu que ele era forte, mas tinha se esquecido disso. Tinha se esquecido do seus dons e dos seus sonhos. Percebeu que a porca talvez bem mais tivesse sonhos. Que ela também poderia sair da lama se quisesse, mas percebeu que seria muito difícil já que não iria enfrentar a vida fora daquela lama conhecida.

E assim a borboleta fez! Começou a construir um casulo, certa de que quando saísse não teria apagado as marcas de lama que recebeu, mas essas marcas estariam lá, junto do seu brilho, pronta para voltar para o voo no topo das árvores, esperando que seu amigo bicho-preguiça pudesse encontrá-la e de sonhos pudessem falar, já que na lama ela não iria mais ficar.

A dor pode ser um lugar de conforto difícil de sair, mas a conexão com nossa essência e a lembrança de nossos sonhos permite encontrar as forças para se lançar no desconhecido, se aventurar no interior, organizar a bagunça interna e agradecer seu propósito e sair renovado para a vida. Ninguém pode viver essa aventura por ninguém e nem apressar ou forçar o outro a vivê-la ou afundaremos nas profundezas com o outro ao invés de ajudá-lo. As vezes é preciso respeitar que o outro pode saber a solução, mas não a segue. Ninguém pode brilhar pelo outro!

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