Matei o dia

A frase que tenho ouvido bastante e que considero profundamente reativa e sem consciência é “Comi e não morri” ou sua prima que também anda junto “Só hoje tudo bem/De vez em quando não faz mal!” Como na minha vida não pretendo apenas sobreviver e sim viver com qualidade e consciência, pouco a pouco tenho observado o que meu corpo pede, o que meu EU precisa para se expressar aqui da melhor forma possível e tornar cada uma das minhas ações uma ação consciente, não uma reação. Um dos temas é… alimentação.


Desde que retornei do retiro de 21 dias (Prana Prasakti) minha consciência sobre a alimentação e a própria alimentação foi se transformando. Como todo processo, nada é linear, as quedas as vezes acontecem concomitantemente com as subidas, as emoções conectam com alimentos, a saudades de certas comidas que dizem mais sobre o momento que aquilo conecta e ao interior do que com a comida em si… comer é algo profundamente emocional, a comida nutre (ou desnutre e talvez a maior parte do que a população ingere não nutra nada…) o físico, o emocional, o campo vibracional.


Desde que iniciei minha bebê no processo alimentar conto nos dedos as vezes que comi algo que acho que nem comida deveria se chamar. Então hoje, claramente para alimentar um monstrinho emocional e a memória de um sabor, resolvi comer um pacotinho de bolachas recheadas.


3 bolachas e 6 minutos de felicidade… 30 minutos depois eu estava deprimida, irritadiça, chorosa, queria ficar sem fazer nada, dor de cabeça, querendo mais bolachas. Levou umas duas horas para entender que aquilo era efeito da bolacha e que eu precisava de muita água, exercício, respiração, meditação para ajudar na desintoxicação. (Comi e não morri…)

Quando fazemos uso de algo que nos faz mal constantemente, perdemos a noção e acostumamos com os efeitos. A alimentação das pessoas contém tantos processador, transgênicos, corantes, glutamato, glúten, açúcar, gordura hidrogenada, derivados de animais, agrotóxicos, microondas, enfim… são tantas coisas e numa constância tão grande, que as pessoas se acostumam a viver sem energia, com dores, com alergia, probleminhas de saúde, questões psiquicas e não notam os efeitos. Quando se passa um tempo longo longe disso, o efeito é gritante.


Sim, comi e não morri, mas matei o dia! O corpo inchado inchado também a cabeça que latejou o dia todo, o humor alterado, a irritabilidade, a sensação depressiva, a falta de energia. Passei um dia inteiro para melhorar a energia e esperando o corpo lidar com o que o inflamou. Aí nesse momento em geral alguém diria, mas você lidou com isso! Sim, lidei, mas ao invés de passar um dia gastando minha energia para transformar algo que baixou minha energia tremendamente, me inflamou, me fez mal, eu poderia ter usado essa mesma energia para ter elevado minha energia… Esse também é um bom momento para alguém lançar “Mas de vez em quando não faz mal!” . Não!!!! Faz mal sim!!!! Você pode escolher comer algo que te faz mal quantas vezes você quiser, mas assuma que você sabe que aquilo faz mal, não tente jogar frases que retiram a consciência da ação, porque é isso que todas essas frases fazem, tiram a consciência e a responsabilidade sobre o próprio processo. Hoje eu escolhi comer a bolacha, talvez eu não lembrasse da sensação ruim, mas eu sabia, estava consciente que aquilo não me faria bem e escolhi fazê-lo!

Eu comi e morri um pouquinho e de vez em quando também faz mal, mas posso escolher desde que esteja consciente!

Outro jogo de palavras que detesto por achar que demonstram total tentativa de retirar a própria responsabilidade do processo é: “estamos no mundo/sistema” ou suas primas mais distantes “não dá pra pensar em tudo”. Sim dá! Dá trabalho desconstruir o normal é reconstruir, mas tudo pode ser mudado! Podemos começar a pensar em uma coisa de cada vez. Curiosamente quando começamos a pensar e mudar e ficarmos conscientes, as mudanças vão acontecendo gradativamente e continuamente. Não é uma mudança sem consciência, pelo contrário, quanto mais consciente nos tornamos mais nossa própria essência vai nos guiando pelo caminho.

Sim, temos responsabilidade total ou então temos responsabilidade em sermos escravos do sistema e mantermos o sistema como está.

A alimentação pode curar, pode abrir canais, pode aumentar sua energia, ou o inverso. E você pode comer e não morrer ou comer de vez em quando, desde de que saiba o que está fazendo e assuma para si mesmo! E mais do que isso, desde que não use a inconsciência com frases padrões do sistema para reagir porque o outro está sendo um gatilho de algo que de algum modo é incômodo!

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