Vida de antes…

Photo: noelle mirabella photography

Gostaria que toda mulher que decide se entregar a maternagem parasse de ouvir que ela tem que retomar à própria vida! Cada vez que ouço isso sinto como se alguém quisesse me dizer que algo está errado, que o que faço dos meus dias não é vida e que minha forma de criar e educar é um fardo. Sinto inclusive como se quisessem apressar em separar minha filha de mim, afinal a conclusão lógica que vem após esse conselho é pensar em escola, babá, etc.

A primeira coisa que a sociedade precisa entender é que a maternagem onde a mulher retorna “““feliz””” aos seus velhos hábitos vem do fato da mulher ser vista como a única responsável pelo cuidado do lar, um objeto a ser usada pelo marido que tem seus desejos e precisa de uma bela casa arrumada e um corpo para satisfazer suas necessidades sexuais. Então o bebê precisava o quanto antes se adaptar ao seu espaço. Sinto por algumas filosofias que tem ideias incríveis que inclusive uso muita coisa aqui em casa, mas algumas filosofia de criação foram desenvolvidas em locais com guerras e consequentemente muitos órfãos e após o período industrial e guardaram um resquício do olhar sobre o papel da mulher e alguns erros na minha opinião sobre amamentação e afins.

Um outro momento importante que caracterizou essa ideia de vida de antes foi após a mulher entrar no mercado de trabalho. Que empregador queria perder dinheiro para que alguém pudesse criar um ser humano com todo amor preenchendo suas necessidades, ele queria sua mão de obra de volta ao trabalho. Vida de antes.

A ideia da maternidade como fardo ex sem apoio social gerou ideias distorcidas e muita culpa materna. Sempre que ouço “quando nasce uma criança nasce a culpa materna” eu acho uma grande idiotice. Eu reformulo essa frase para “quando uma mãe não se permite ouvir os seus instintos nasce a culpa materna”.

Antes das sociedades se desenvolverem é possível ver ao longo das culturas a mulher carregando a cria em panos. O filho acompanhava essa mulher o tempo todo e o formato das sociedades facilitava a ajuda entre os membros da sociedade. Não havia essa tal vida de antes.

Essa ideia que uma mulher perde a vida é recente, mas tão bem reproduzida que muitas mulheres se esforçam a voltar a vida de antes e passam os dias lutando com a culpa materna. Não existe voltar para a vida de antes, pois a vida de antes não existia uma criança. Existe a vida de depois e é uma vida incrível se você estiver preparado para viver isso.

Existe um ser humano que precisa de atenção e amor por bastante tempo, mas é o tempo para a encarnação acontecer, para as conexões neurais e formarem, para ele entender que está aqui. Ahhh mas nenhum animal precisa de tanto tempo… Sugiro que discuta essa questão de projeto com seu Deus. De verdade, estamos comparando tomate com grão de bico. Espécies diferentes, necessidades diferentes. No entanto, essas pessoas que adoram dizer que todos os outros mamíferos tem o desenvolvimento mais rápido, esquecem que na natureza os outros mamíferos tem sempre uma espécie observando em tempo integral os pequenos. Que não são impostos padrões e comportamento. O instinto e a conexão estão presentes e os adultos estão lá disponíveis. Não há telas, escolas, quartos separados, então por muito tempo os filhotes recebem bastante atenção.

Eu abracei a maternidade com unhas e garras. Ouvi tantos absurdos e conselhos patéticos que são encontrados nos melhores best-sellers nas livrarias e reproduzidos por médicos e afins, alguns completamente contraditórios e sem conexão com a minha alma. Então eu tenho o privilégio de poder fazer a leitura energética da minha filha e buscar informações, mas na dúvida passei a me perguntar: se eu estivesse em uma ilha deserta o que eu faria? Essa pergunta é o equivalente a: se ninguém me desse conselhos idiotas e eu não me sentisse pressionada pela sociedade o que gostaria de fazer?

Eu não quero voltar para a vida de antes, eu quero viver a vida de agora e desenvolver a vida depois quando o depois chegar. Sim, estou exausta! Mas não troco um minuto de descanso pelas experiências que tenho com minha bebezuca. Não é ela que me cansa, são todas as outras coisas que tenho que fazer, além de questões da casa para resolver e a carga mental que é gigante. Sabe a foto acima? Então… a carga são todas as outras coisas que tenho que carregar, a cria não é um fardo, é uma benção!

As minhas crenças de vida e meu jeito de criar são como um elefante branco na sala. As pessoas ficam desconfortáveis e isso dispara gatilhos. Não são poucas as vezes que alguém se incomoda e diz, “mas você não pode fazer assim” ou “você tem que fazer diferente” e quando eu respondo que aquele é o jeito que eu acredito e que é compatível com a minha filosofia de vida vejo uma cara fechada endurecida falando a mesma frase mais alto de forma mais dura…

Padrões são muito difíceis de mudar para quem não está disposto a se questionar. As vezes sou elogiada por meu companheiro que diz que ele percebe meu esforço em questionar o que eu aprendi ou vivi e fazer diferente, já que é tão fácil reproduzir padrões. Sim, da trabalho, Mas vale a pena!

Cada mãe tem uma filosofia sobre maternar, cada uma vai questionar ou não seus próprios padrões e implementar coisas diferentes, mas da próxima vez que você achar que uma mãe tem que fazer diferente ouse questionar a si próprio e suas crenças sobre vida!

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