Conceitos

Você já percebeu como a ideia de vendas desvirtua os conceitos?

Gosto muito de peças que são brinquedos, que podem ser usadas livremente. Gosto da madeira pelo sensorial. Detesto brinquedos que brincam sozinhos, muitas luzes, muito barulho. Acho que sempre detestei. Chamavam a minha atenção quando criança, mas no fundo me irritavam, muito barulho, muito estímulo, tiram completamente o centramento (veja o post anterior). Nessa linha de brinquedos mais livres comecei a perceber que todo brinquedo que quer ser chamado de educativo é feito de madeira. Não importa se foi super encerado e perdeu a textura e ficou com sensorial do plástico, não importa se ao invés de libertar a brincadeira o brinquedo é “educativo” no sentido de fazer a criança se enquadrar, seguir apenas uma linha de pensamento. Percebi que a maioria dos brinquedos expostos como educativos ou como linhas de pensamentos mais livres, na verdade eram apenas coisas feitas para a venda, apenas mais um, algo a ser descartado ou que nada são compatíveis com o conceito de liberar e deixar a criança livre na sua descoberta.

Mas a ideia das vendas também é aplicada aos alimentos. Basta colocar sustentável/ecológico/ fit/saudável. Troque o vermelho dos logos por um logo verde. Coloque a imagem de plantas e frutas e você terá a venda saudável e sustentável, ainda que totalmente longe do conceito real. Assim como a Nestlé no pós guerra descobriu que poderia escoar a producao de leite moça (feita para os soldados) fazendo as mães acreditarem que aquela era uma escolha saudável para seus bebês, as indústrias simplesmente pegam as ideias e subvertem. Se nesse momento as pessoas querem algo mais saudável, basta dizer que os grãos são integrais, trocar o açúcar refinado por um blend de outros açúcares, inserir uma pitada de algo “saudável” e pronto, receita de sucesso.

Isso porque da mesma forma que as pessoas que compram brinquedos muitas vezes só olham a capa escrita madeira/educativo, as pessoas aceitam a capa do alimento e o que a indústria fala. Temos mentes potentes que não são usadas por estarmos atribulados demais com a desconexão.

Precisamos aprender a ler os rótulos da vida, não só dos produtos, e ter certeza de que o que é oferecido em qualquer área é aquilo que queremos consumir.

E por fim chegamos na espiritualidade. Cursos e técnicas que se vendem como melhores do que os outros, mais potentes, mais rápidos, mais libertadores, mais ascensionais, mais quaisquer coisa que o marketing possa oferecer. O caminho holístico/espiritual entrou direito na pegada das vendas deixando de lado muito do conceito verdadeiro ou do que se prega nos próprios cursos. Essa estratégia gera o consumismo espiritual: mais um curso, mais uma técnica, mais algo que está se do vendido e de novo não estamos lendo os “rótulos”.

Não importa se é na área da saúde, alimentação, relacionamento, espiritualidade, moda, educação. Pare de ler os títulos e aprenda a ler os rótulos, o que tem de verdade dentro de cada coisa e se aquilo é compatível com o que você quer.

Dizemos que não temos tempo, mas temos muito tempo, só desperdiçamos com as coisas que não são importantes ou essenciais. Aprender a ler os “rótulos” vai poupar muito tempo permitindo que nos alinhemos com o que queremos de verdade.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s