Eutanásia

Vamos falar de um assunto muito importante: EUTANÁSIA!

Muitos guardiões (só no último ano foram mais de 10 casos) me procuraram para uma leitura com os animais doentes.

Os guardiões pediram uma leitura na qual ficou muito claro que eles só vieram em busca do recebimento de um aval para a decisão que já tinham tomado: terminar a vida do animal. Uma pequena parcela me procurou com o intuito é realmente se comunicar com o animal e respeitar o processo e a vontade deles.

Em todos os casos que o guardião chegava com a decisão tomada, essa decisão até parecia revestida de dúvida, mas nas primeiras falas do animal ficava claro que o humano já tinha decidido e os animais já sabiam. Os humanos apresentavam a ideia de que o animal estava sofrendo muito e eles não aguentavam vê-lo dessa forma. No entanto, alguns animais disseram claramente que estavam no processo deles e apesar de não apresentarem o mesmo comportamento, o sofrimento era mais do humano do que dele animal. Os animais mostraram como o processo está um incômodo para os humanos que não estavam dispostos a estar com o animal e praticar os cuidados que eles precisariam durante o processo. Muitos mostraram que o humano não queria ter aquele trabalho ou lidar com aquilo. Desses casos, nenhum animal pediu para o humano não seguir com o processo, apenas um pediu mais algumas semanas, no entanto todos pediram algumas ações dos guardiões. Alguns pediram que os guardiões os acompanhassem até o fim, pois estavam com medo. Outros pediram rituais específicos. Sabe quantos humanos seguiram os pedidos? Nenhum!

A primeira reflexão que queria fazer sobre isso é o quanto um processo de doença pode mexer em nossa estrutura e o quanto não estamos preparados para lidar com situações. Muitos caos de eutanásia, eu arrisco dizer que seria a maioria, não são pelo animal, mas pela dificuldade do humano em lidar com a questão, pelo sofrimento humano sobre a situação. Quem não aguenta mais é o humano e não o animal. Daí vem a segunda reflexão: precisamos parar de projetar as ideias sobre processos de vida e morte, doença e sofrimento. A doença e o sofrimento podem não ser agradáveis, mas precisamos respeitar os outros seres e as decisões que eles tem sobre o processo de vida. As vezes podemos entender a doença outras vezes não, mas como guardiões temos a responsabilidade de perceber nossa dor e nosso processo diante disso tudo, temos até mesmo o dever de cuidar de nossas emoções para poder ajudar os animais que vivem conosco dentro do processo DELES! Aqui cabe um reforço de que o protagonismo no processo não é do humano e sim do animal, é o processo dele que importa é o processo humano precisa ser visto para não interferir. A terceira reflexão é sobre o respeito. Eu compreendo que grande parte das pessoas não tem o entendimento sobre a soberania de vida e vontade das outras espécies, entendo que as pessoas não tenham sido ensinadas a se comunicarem com outros reinos, entendo também que elas recebem a informação de um profissional que se mostra qualificado para atender o animal, mas muitas vezes não tem o entendimento maior sobre aquele ser. Temos muitos padrões e crenças sociais. Ensinamentos errôneos sobre as outras espécies. Temos uma ideia antropocêntrica e vemos o mundo a partir daí, mas precisamos começar a entender que as outras espécies têm soberania sobre sua vida e isso acontece começando a respeitar todos os outros animais. Quanto passamos a respeitar e entender que cada ser é soberano sobre seu destino, começamos a entender que ele deve decidir sobre esse tipo de questão ou no mínimo ser ouvido em suas necessidades.

Ainda que você não se comunique claramente com o animal, se você conseguir lidar com o seu processo sobre a doença dele, respeitando aquele ser, nem querendo sua cura e nem sua morte, apenas respeitando e acolhendo da melhor forma, com os cuidados cabíveis e acolhendo sua dor, você receberá claramente o sinal sobre a decisão dele ir embora de forma assistida ou não.

No entanto, dois casos em especial me emocionaram muito.

No primeiro a guardiã queria saber o que fazer e de fato a cadelinha disse que tinha pouco tempo, mas ainda não estava na hora dela. Passou uma série de conhecimentos e pediu que a guardiã estivesse com ela o máximo de tempo possível. Passados 10 dias ela se foi. A guardiã teve certeza que ela mostrou que estava de partida e perderam ficar juntas nesse momento. Segundo a guardiã ela foi plena e em paz o que gerou uma paz profunda na guardiã, apesar de todas as emoções e luto que viveu.

O segundo caso foi algo inesperado. Um cachorrinho que não quis falar comigo todas as vezes que eu tentei. Ele estava aguardando a comunicação há dois meses até que a guardiã me escreve pedindo para cancelar a leitura e que ela ia procurar ajuda para terminar a vida dele. Nesse exato momento a leitura abriu. Ele disse claramente que estava pronto e que aceitava essa ajuda. Que esse era o momento exato. Ainda trouxe mais algumas informações para a guardiã, falou muito brevemente sobre o processo de liberação que está vivendo, mas não quis trazer muita coisa. Disse para a guardiã que era um momento muito forte de liberação para ela também e reforçou que ele gostaria dessa ajuda para fazer a passagem. Não foi possível ter dúvidas sobre isso ele foi claro. Só pediu que ela estivesse com ele até onde pudesse, mas sabia que ela não ficaria com ele até o fim.

Tudo isso vem para mostrar que cada ser ter seu processo e precisamos aprender a respeitar. Seja um animal, seja outro humano. Vejo rodas de cura pedindo a cura de pessoas que nem estão presentes. Pessoas interferindo em animais ou humanos, seja para ficar ou para ir sem olhar para a consciência do processo. Respeitar o outro ser em seu processo é tudo que precisamos começar a refletir e aprender. As vezes o processo é a cura, outras vezes a cura é a morte…

Quando começarmos a aceitar isso entre humanos e “animais domésticos” começaremos uma outra relação com todas as outras formas de vida.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s