Integridade

A cada dia eu vejo crescendo a venda e a guerra por likes nos serviços e produtos mais inesperados. Eu entendo que as pessoas na materialidade precisem de dinheiro, mas Facebook e Instagram não podem ser a única forma das pessoas se conectarem com clientes, ainda mais nessa área que se fala tanto de energia e vibração.

No mundo místico ou das terapias holísticas isso tem sido uma crescente assustadora. Pessoas vendendo qualquer conteúdo a qualquer custo em troca de likes e para estar de acordo com os algoritmos. Talvez algumas dessas pessoas de fato só estejam usando a suposta obrigação de postar como desculpa para suas necessidades, mas algumas estão caindo na armadilha sem perceber e acabam por fazer o oposto do que pregam.

Até onde estudei, não há uma única filosofia ou técnica que, na sua linguagem, não fale sobre o estado de presença e a integridade interior. Prestar atenção ao que se faz e entender todos os motivos e razões pelo qual se está fazendo (uma espécie de digging, vamos cavando a resposta por trás da resposta).

No entanto, esse estado de presença é o oposto do que se cria nesse processo de redes sociais. Atendi inclusive uma cliente, que me autorizou a contar isso, que disse: “mas tudo bem, não sou eu que estou criando os conteúdos” e caiu no choro ao ver minha cara e o insight que ela teve na hora: ela pode estar mantendo seu estado de presença ficando longe do formato que as redes obrigam, mas ela estava criando justamente o oposto para as pessoas que a seguiam.

O instagram em menos de dois anos deixou de ser um ambiente de postagens simples e passou a ser um compartilhodromo assim como o facebook onde nada que não tenha uma dancinha tosca ou um conteúdo de 5 segundos sobrevive.

Existe uma linha muito tênue entre criar algo e compartilhar um pensamento, um conhecimento, um ensinamento e a criação vomitada de conteúdos a qualquer custo sem um devido propósito. Eu mesma tenho dificuldade em dosar esse processo, apesar da minha aquarianice revoltada ajudar: “se querem me obrigar postar não vou postar” hahaha.

Essa é uma crítica antiga minha à vulgarização das redes, no sentido de só incentivarem lixo e coisas rasas, mas aqui eu questiono a integridade da área que atuo, na qual vejo cada vez mais uma ação nas redes e uma falha nos trabalhos e chamo à responsabilidade e integridade, pois a ordem das redes não pode obrigar alguém a “vender” sua integridade!

O segundo aspecto sobre integridade que trago é da crescente exposição de fotos de clientes em processos ou atendimentos ou a exposição do conteúdo dos trabalhos.

Eu mesma faço alguns resumos sobre atendimentos e ensinamentos dos animais, tentando preservar ao máximo a integridade dos animais e dos tutores. As postagens que faço sempre tem autorização do animal. Quando são atendimentos de humanos, explico questões comuns dos atendimentos. Isso porque eu entendo que são construídos que podem ser úteis, mas tudo tem uma energia que não deve ser amplamente exposta, além de fazer parte da ética e integridade o sigilo, mas o que vejo na prática é uma grande exposição como parte da estratégia de vendas.

Já sobre as fotos, costumo ser sempre a chata dos encontros e dizer que não autorizo tirarem fotos minhas durante um atendimento ou trabalho, ainda mais com minha filha, acho incrível como as pessoas se acham no direito de tirar fotos das crianças, eu não autorizo a exposição dela em redes ou que as pessoas tirem fotos. Fotos contém energia! Voltando aos processos e atendimentos, vejo as pessoas colocando imagens dos eventos. Já passei em muitos lugares nos quais as pessoas batiam fotos e depois perguntavam se poderiam postar, o que acho altamente invasivo. Mais invasivo descobrir fotos minhas publicado sem autorização. A pergunta deveria ser anterior, não deveríamos bater foto de alguém sem sua autorização, quanto mais posta-las. Atendimentos e processos são momentos em que as pessoas precisam poder se entregar e confiar. Como confiar em alguém que está expondo ou registrando seu momento particular???

A questão das fotos é uma questão complicada em todas as áreas, as pessoas com um celular nas mãos acreditam ter o direito de fotografar qualquer coisa ou pessoa em qualquer situação. A ideia é sempre postar, postar, postar, não importa o que o outro ache da exposição.

Voltando a área espiritual ou holística também acho assustador pois essa prática vai contra os ensinamentos. Vai contra o sigilo, a integridade!

Retornar para o estado de total responsabilidade com o que fazemos e o estado de presença é importante, mas antes disso precisamos ser íntegros conosco e entender o motivo de estarmos fazendo!

Esse é um assunto que chega a ser espinhoso nos dias atuais por mexer com o que muita gente está fazendo. Se eu puder dar um conselho, comece sendo honesto com você do motivo de estar fazendo. Eu já postei fotos apenas por um like e riram muito quando eu disse isso, até que quem me ouviu dizendo teve um insight que era bem sério reconhecer isso.

Nas redes é muito fácil perder o rumo e não seguir o que se prega e vejo a constante banalização do assunto. Não importa o que uma rede está querendo impor, você é mais forte. Se não soubermos usar nossa integridade sobre uma bigtech, imagine para assuntos mais cabeludos como política, governo, saúde ou outros…

Deixo aqui o vídeo de Roger Waters como inspiração das coisas que não vendemos (retirado da internet, créditos estão no vídeo)

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