Respeito

Essas são duas das três ilustres visitantes diárias que vem pedir milho orgânico na minha porta.

Tenho aprendido muito com elas. O último ensinamento foi dizer que elas sabem onde procurar os detalhes e sabem lidar com coisas (escorpiões, baratas) que os humanos não sabem.

Haveria muita história para contar, mas uma das questões atuais dessas galinhas é a condição constante de estresse que vivem. Elas comentaram sobre a questão de não terem um abrigo para chuva e frio, comentam que precisam ficar retirando os pombos para comer, que não gostam de ser alimentadas muito perto (duas estão em constante briga, estamos conversando para tentar alguma alternativa), mas mais do que isso, essas três viram as outras 17 galinhas irem morrendo pouco a pouco e o grupo diminuindo. Elas apontam que um dos problemas disso é que enquanto eram numerosas se sentiam mais protegidas, agora não tem a divisão do grupo onde cada uma prestava atenção em alguma coisa diferente, então o nível de ansiedade atual é maior.
Quando pergunto da ansiedade, elas falam do calor, frio e chuva, também comentam da água, gostariam de ter mais água a disposição, mas falam que o pior é o desrespeito constante dos humanos.
No período de pouco mais de um mês que se tornaram visitas diárias, algumas passaram a comer na minha mão, mas no geral elas não demonstram um medo instintivo e sim um pavor dos humanos, acusando a forma de pegar pelas asas, arrancarem penas, correrem atrás delas e deixarem os cachorros pularem nelas ou perseguirem enquanto os humanos se divertirem com a situação. Elas relataram que o coraçãozinho dispara que chega a doer. De fato não foi uma única vez que ao dar comida e me afastar vejo outras pessoas achando divertido deixar a criança correr sem deixar a galinha comer, deixando os cachorros passarem perto e tentarem pegar as galinhas. Os humanos acham isso divertido.

Cheguei a questionar o tratamento que eu dou a um pombo que tenta pegar a comida (tento afugenta-lo) e me disseram que ele ele simplesmente desdenha e me ignora. A relação dele com os humanos é outra, ele não está nem aí pra mim.

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